Medicina do Viajante

A consulta do viajante, sofre em Portugal por uma grande ausência de informação específica e detalhada para cada tipo de viajante, uma descoordenação entre os poucos serviços públicos e privados, onde se realiza este tipo de consultas, além de que a formação médica na área é escassíssima, sendo geralmente substituída pelo voluntarismo ou pelo aventureirismo, ambos inimigos de um trabalho consciente e seguro.

Apenas existe um site internacional de apoio (em inglês), que faz actualizações anuais, em função das informações colhidas internacionalmente pela OMS.    Http://www.travelmedicine.dk.

Além da história clínica cuidada, cabe ao médico a determinação do grau de risco em função do itinerário do viajante, aconselhar uma profilaxia em caso de existir, prescrever a vacinação obrigatória interfronteiras, ou outras facultativas sempre que seja necessário, construir a "farmácia do viajante" em função do seu destino e finalmente o aconselhamento sobre os locais sanitariamente seguros no destino, onde poderá pedir apoio, sempre que necessitar. 

Anamnese:

Colheita cuidadosa de dados sobre os antecedentes pessoais e sobretudo sobre o destino do viajante, sem esquecer o seu itinerário (escalas, possíveis paragens não programadas), contactos e companheiros de jornada, além da duração da viagem e sua natureza (lazer, trabalho,...).

Exame objectivo:

Despiste de patologias ou lesões ainda não referenciadas e medidas para o seu tratamento.

Prescrição:

Quimioprofilacticos e imunoglobulinas, vacinas e, a farmácia de viagem, com todas as posologias e indicações escritas, permitindo a automedicação pelo viajante.

Documentação oficial (sempre que seja necessária), atestados e declarações devidamente esclarecedores quanto ao seu fim, autenticados com a vinheta e assinatura do médico prescritor , com o pormenor de serem documentos obrigatóriamente na língua oficial internacional: inglês.

Anexaremos as minutas destes documentos e principais fins a que se destinam.

Consulta de rastreio pós-viagem

Após uma viagem a áreas endémicas de patologias infecciosas, por vezes aparecem sintomas e sinais suspeitos de contaminação, que devem ser avaliados no contexto da medicina do viajante, orientando assim os vários exames que se podem pedir: análises de fezes (pesquisando ovos, quistos ou parasitas), análises de urina (com despiste de hematúria, proteinúria ou glicosúria), análises sanguíneas (hemograma, transaminases, VS, ionograma, Ag Hbs, anti HbC total, anti- HVC, VDRL, FTA-ABS, serologia para shistosoma, Mantoux, Rx do tórax, testes específicos incluindo VIH 1 e2 ).

Classificação dos viajantes segundo o grau de risco:

1 - Risco mínimo

Viajantes de curta duração (ausências até 1 semana), em trabalho ou lazer e em áreas citadinas.

2 - Risco moderado

A maioria das viagens turísticas, com uma duração de 1 a 3 semanas, com estadias sobretudo em cidades mas com excursões pelo campo, ou pernoitando fora dos hotéis, em condições mais rudes.

3 - Risco máximo

Viagens de longa duração, ou deslocações repetidas a áreas endémicas, ou viajantes solitários em áreas totalmente desprotegidas e insalubres, ou trabalhadores destacados para áreas de risco.

Nas deslocações profissionais prolongadas, exige-se toda a vacinação necessária para a área respectiva, além das vacinas: HepatiteB, BCG, TBE ou Raiva.

Nestes casos, é indispensável explicar que na maioria dos países, a subnotificação falseia completamente o grau de risco real, sobretudo para os casos de tuberculose e raiva. Aconselha-se sempre a vacinação, além de que também se deve fazer as devidas recomendações para prevenir o VIH.

Recomendações práticas:

QUEM NÃO DEVE VIAJAR DE AVIÃO - A generalidade das companhias aéreas exige certificados ou atestados em casos de dúvida expressa sobre patologias graves ou outros casos, quando se verifica o risco para a saúde do próprio ou de outros passageiros, risco em termos de segurança aérea, ou risco para terceiros (os restantes passageiros).

1 - Grávidas no fim da gestação (últimas 4 semanas na gravidez simples ou nas últimas 8 semanas no caso de multiparidade).

2 - Recém-nascidos com menos de 1 semana de vida.

3 - Nas 48 horas pós parto.

4 - No EAM (enfarte agudo do miocárdio) há menos de 10 dias.

5 - Na angina instável.

6 - Na dispneia para pequenos esforços.

7 - Na HTA mal controlada (sistólicas de 200mmHg são impeditivas de viajar de avião).

8 - No tromboembolismo recente sem medicação anticoagulante.

9 - Na DPOC grave (dispneia em repouso).

10 - Até cerca de 10 dias após pneumectomia.

11 - Nas anemias graves (hemoglobina inferior a 8,5g).

12 - Na anemia falciforme com crise hemolítica nos últimos 10 dias.

13 - Doentes infectados em tratamento mas com risco de contágio de outros passageiros (varicela, sarampo, rubéola, parotidite, escarlatina, tosse convulsa, gripe, tuberculose pulmonar e gastroenterites agudas na fase produtiva).

14 - Epilépticos com história de crise convulsiva nas 24h. anteriores ao voo.

15 - Nos AVC  e AIT, há menos de 10 dias.   

16 - Doentes psiquiátricos instáveis, com comportamentos de risco e imprevisíveis (déficites cognitivos, esquizofrenias não controladas e outros).

17 -  Nas fracturas recentes (menos de 1 semana) engessados.

18 - Nas 24 horas imediatas a um mergulho de profundidade.

Autor: Dr. António Pedro, Director Clínico - Walk'in

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